
Conhecida principalmente por suas criações extremas e controversas, a casa de moda Matières Fécales lançou recentemente sua coleção Outono/Inverno 2026. Seu desfile recente, intitulado “O Um Por Cento”, apresenta modelos posando com rostos deformados e olhos demoníacos. Aqui está uma olhada nessa exposição de arte e suas referências ao mundo sombrio da elite oculta.
A marca parisiense Matières Fécales surgiu no cenário da moda como uma daquelas marcas que buscam provocar repulsa e choque. O próprio nome (Matéria Fecal) já funciona como uma declaração aberta de que sua estética dialoga com o decomposto, o perturbador e o deliberadamente abjeto.
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| Hannah Rose e Steven Raj, fundadores da Matières Fécales. |
Portanto, não é surpresa que tenham sido recebidos por uma das figuras mais proeminentes dessa subcultura estética: Michele Lamy. Algumas pessoas são definidas por sua biografia. Lamy é definida por sua presença. Sua imagem, sua postura e a aura que cultiva dispensam longas apresentações.
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| Lamy tem fortes ligações com a indústria do entretenimento e participa frequentemente em sessões fotográficas simbólicas (incluindo, claro, o sinal do um olho). |
Em muitos aspectos, Lamy ocupa um espaço semelhante ao de Marina Abramovic. Ambas atuam nesse território onde performance, ocultismo e a elite se entrelaçam.
Mesmo aos 81 anos, Michele continua a exercer influência real, inclusive ao lado de Rick Owens, com quem consolidou um dos casais mais poderosos e excêntricos da moda contemporânea.
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| O rapper estoniano Tommy Cash aparece deitado entre Rick Owens e Michele Lamy no que parece ser uma foto pós-iniciação. Rick Owens é bissexual, então só podemos imaginar o que aconteceu antes dessa foto amaldiçoada. |
Com esse apoio, a ascensão da Matières Fécales foi quase instantânea. A marca logo começou a vestir nomes como Lady Gaga. Foi nesse contexto que a marca apresentou seu desfile de Outono/Inverno 2026 em Paris, cercada pelo mesmo ecossistema de aprovação da elite que a impulsionou.
O desfile funcionou como uma vitrine para as tendências demoníacas da elite oculta. O que foi vendido ali foi uma visão de mundo.
Aqui está uma análise do desfile e seu simbolismo.
100% Satânico
Estruturada como um espetáculo em três movimentos, “O Um Por Cento” se apresenta como uma encenação de um universo de privilégios, distorções e rituais de poder. Cada parte abre uma cortina diferente sobre o imaginário da elite, revelando a atmosfera simbólica que a envolve.
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| Um homem de aparência rica, usando uma cartola clássica, acessório comum entre aristocratas em eventos sociais. Uma nota de dólar é usada como uma venda para os olhos, em uma prática semelhante ao BDSM. |
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| Essa modelo parece estar participando de um baile de gala e usando próteses que deformam seu rosto. |
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| Uma “mulher” (sinceramente, não tenho certeza) calva e de aparência grotesca usa uma pérola gigante (símbolo de riqueza) como uma mordaça. |
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| Suas vestimentas e comportamento lembram a realeza retratada em pinturas elisabetanas. No entanto, ela tem olhos esbugalhados, demoníacos e reptilianos. Uma mensagem sobre a elite? |
Na segunda parte, o clima muda. O desfile abandona o salão aristocrático e mergulha numa atmosfera mais sombria, cerimonial e explicitamente satânica. Se antes o foco era a imagem pública da classe dominante, agora a sensação é de que a cortina foi aberta para revelar o que acontece nos bastidores.
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| Fora de forma, usando batom e envolto em vestes satânicas: o homem ideal da elite. |
Alguns modelos adotam um visual supostamente rebelde, com traços góticos ou urbanos, como se personificassem a oposição ao sistema. Será isso realmente uma ruptura com a norma ou apenas uma estética pré-aprovada?
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| Mais um membro do culto de pessoas com confusão de gênero e espiritualidade do qual a elite quer que o mundo faça parte. |
Conclusão
A narrativa oficial em torno de “O Um Por Cento”, de Matières Fécales, tenta vender a obra como um ataque à elite e à sua devoção religiosa ao luxo, ao privilégio e à ostentação. Segundo essa interpretação conveniente, o segundo ato funciona como uma espécie de contra-ataque simbólico, no qual as vestes escuras e ritualísticas deixam de representar mera transgressão e se tornam emblemas de conexão, adesão e identidade.
É verdade que o espetáculo ridiculariza certos maneirismos da aristocracia, zombando de sua pompa e teatralidade. Mas isso não basta para transformá-lo em uma denúncia. Afinal, a elite também adora satirizar a si mesma. A zombaria é uma de suas formas favoritas de autopreservação. Os arquitetos dessa encenação não falam de fora. Eles pertencem ao mesmo universo que fingem criticar. Michele Lamy e o círculo que a cerca habitam o seleto topo da moda, um ambiente tão distante da vida cotidiana que já opera em uma atmosfera moral, simbólica e econômica diferente.
Ao lado de figuras como Marina Abramovic, esse grupo não apenas circula no poder; ele ajuda a moldá-lo. São nomes que influenciam gostos, legitimam estéticas e promovem símbolos que pouco ou nada têm a ver com as preocupações da pessoa comum. O que eles produzem não é para servir à maioria, nem pretende dialogar com ela.
Portanto, chamar “O Um Por Cento” de crítica é uma piada. O que vemos ali é um retrato do poder feito com admiração. A obra exibe a elite com puro prazer. Em vez de contestar a obscena acumulação de riqueza e denunciar a frieza espiritual da elite, o espetáculo celebra essas coisas com orgulho.
No segundo ato, essa disposição torna-se mais evidente. A passarela deixa de ser apenas uma representação de luxo decadente e passa a apresentar uma procissão de figuras tristes e ritualizadas, espiritualmente vazias e com identidades fragmentadas. Tudo é cuidadosamente calibrado para celebrar a confusão, a alienação e a decadência.
Quem realmente se reconhece na obra? Quem vê algo digno de aplausos neste teatro? Quem se deleita com esta demonstração de deformação e poder disfarçado de arte? Não é o homem comum, que carrega o peso do mundo real.
Não esqueça: Inteligência e Fé!










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