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Governo Canadense Repara Secretamente Filha de Vítima MKULTRA


A vítima já foi mantida em um sono quimicamente induzido durante semanas e já foi submetida a seções de eletro-choques, ingerindo drogas experimentais e fazendo gravações de mensagens desempenhadas sem parar.

A CBC News informou recentemente que o governo canadense chegou à uma liquidação extrajudicial de U$ 100.000 com Allison Steel, filha de Jean Steel, uma mulher que foi submetida à terríveis experiências de lavagem cerebral, financiadas pela CIA.

O acordo foi alcançado secretamente em troca de deixar a ação judicial lançada pela própria Allison Steel em setembro de 2015. O acordo inclui um acordo de não divulgação que proíbe as Steel de falar sobre o próprio acordo. No entanto, a existência da liquidação e seu valor total apareceram nas contas públicas divulgadas pelo governo federal em outubro.

Tortura Financiada pela CIA

O momento de transe de Jean Steel começou em 1957, com a idade de 33 anos. Ela foi levada para o Allan Memorial Institute em Montreal depois de ter sido diagnosticada com "depressão maníaca e pensamento delirante".

O Allan Memorial Institute em Montreal, Canadá

Nos meses seguintes, Steel tornou-se vítima de experiências MKULTRA financiadas pela CIA e conduzidas pelo Dr. Ewen Cameron.

Dr. Ewen Cameron era um psiquiatra nascido na Escócia que serviu como presidente da American Psychiatric Association (1952-1953), Canadian Psychiatric Association (1958-1959), American Psychopathological Association (1963), Society of Biological Psychiatry (1965) e da Associação Mundial de Psiquiatria (1961-1966). Durante os anos de 1950 e 1960, ele foi financiado pela CIA para realizar experiências para o programa MKULTRA de controle mental

As experiências de Cameron visavam "degradar" a mente da vítima através de um trauma intenso para "re-padronizar" depois. Em outras palavras, ele estava buscando as bases da Programação Monarca, o programa de controle mental que é frequentemente discutido aqui no Intelligence and Faith.

  • "Cameron acreditava que uma combinação de sono quimicamente induzido por cada semana, tratamentos de eletrochoque maciço, drogas alucinógenas experimentais como LSD e técnicas como a 'condução psíquica' através do repetido jogo de mensagens gravadas poderia 'degradar' a mente, rompendo as ligações cerebrais e eliminando sintomas de doenças mentais, como a esquizofrenia. Os médicos poderiam então 're-padronizar' os pacientes. No entanto, o desígnio também aniquilou a memória do paciente e deixou-os em um estado infantil. Em alguns casos, adultos crescidos esqueceram habilidades básicas como como usar o banheiro, como se vestir ou como amarrar seus sapatos" - CBC News, Federal government quietly compensates daughter of brainwashing experiments victim

Centenas de documentos secretos detalham os terríveis experimentos com os quais Jean Steel foi submetida.

  • "De acordo com um relatório escrito por Cameron, Steel foi mantida em um sono quimicamente induzido durante semanas... uma seção que durou 29 dias. Uma segunda seção durou 18 dias. A terapia do sono foi acompanhada por uma série de eletro-choques. 'Ela estava extremamente confusa e desorientada, mas muito mais cooperativa', escreveu Cameron em seu relatório. As notas das enfermeiras em seus gráficos detalham doses repetidas de sódio amital (conhecido como soro da verdade), e como Steel passaria pelo corredor e pela trilha para se sentir como uma prisioneira: 'É como estar enterrado vivo. Alguém, por favor, faça algo, ela gritava com a enfermeira e o médico', disse em uma nota"

O sódio amital, destacado no texto, é mais conhecido como o "soro da verdade", e é uma droga ou conjunto de drogas que, ministrada a um suspeito ou paciente que tem algo de relevante a esconder, o levaria a revelar a informação que esconde, mediante a supressão e mesmo eliminação da sua força de vontade em não fazê-lo.

Os candidatos ao soro da verdade foram amplamente estudados por diversas entidades e organizações dado o seu interesse estratégico em certas situações. Como já foi dito, a droga, "soro da verdade", ou seja lá o nome que for, foi altamente utilizado no processo MK.

  • "A CIA, a agência de inteligência norte-americana, manteve entre seus projetos um de codinome MKULTRA, que durante 25 anos investigou o comportamento humano quando sujeito às mais variadas situações, inclusive no tocante ao soro da verdade. A conclusão a que chegou foi a de que: tudo que esse soro faz é soltar a língua da pessoa, mas não há a menor garantia do que aquilo que dizem seja verdade" - Wikipédia, Serum of truth

Quando começou a ser estudado, rapidamente percebeu-se que o soro da verdade tinha melhor efeito quando administrados à pacientes previamente dopados com anestésicos, em uma situação onde os padrões normais de pensamento mostravam-se suprimidos ou interrompidos. Os melhores resultados foram obtidos com o paciente em estágio de sedação e relaxamento, em estado de pouca coordenação motora e fala arrastada. Apenas mais tarde, contudo, percebeu-se que os relatos dos pacientes sob ação do soro, quer dopados quer não, não necessariamente e de fato poucas vezes correspondiam à realidade; apresentando-se quase sempre carregados de alucinações traduzidas de medos e fantasias do "entrevistado" que, ao fim das contas, não podiam ser separados entre verídicos e não veríficos de forma segura. Sobre o soro da verdade, várias pessoas confessaram crimes, incluso assassinatos, que não cometeram; simplesmente porque, quando investigados, constatou-se que tais crimes de fato nunca ocorreram.

O uso do soro da verdade é classificado como uma forma de tortura, de acordo com o direito internacional. Mesmo diante de proibições de ordem internacional, estes soros ainda têm uso difundido; relatando-se ocorrências inclusive junto aos serviços secretos MKULTRA realizados até hoje. O uso aida se justifique talvez porque um dos efeitos confirmados do soro seja induzir a pessoa a pensar que revelou muito mais informações do que ela realmente revelou; levando-a a deslizes ou mesmo confissões subsequentes que por fim trazem à tona a verdade que ela antes não revelou.

Voltando ao caso de Steel, ela então começou a exibir um comportamento estranho. Sua filha conta:

  • "'Quando você queria conversar com ela sobre algo emocional... ela simplesmente não podia fazer isso', disse Steel. 'Suas emoções foram despojadas. Ele tirou a alma dela'. Sua mãe ficava sentada sozinha no escuro, escrevendo códigos e números nas paredes. 'Uma vez eu cheguei em casa e o teto estav pintado por spray com redemoinhos vermelhos por toda parte', disse Steel. 'Ela ia pegando papel de parede e ia cortando pequenos trechos dele e ia colocando em toda a sala'"

Enquanto o MKULTRA é visto pelos meios de comunicação de massa como um "episódio vergonhoso do passado", ele também faz parte do nosso presente. O programa ainda existe em uma versão muito mais refinada sob o nome da programação Monarca.

Aqui está um interessante documentário de 1980 sobre as experiências MKULTRA no Canadá produzido pela CBC:


Fonte: VC

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