
Estamos vivendo em uma era em que o sexo, a pornografia e a objetificação dos seres humanos nunca foram tão exacerbados? O objetivo de tudo isso: desumanização e emburrecimento das massas.
Você pode ter a impressão de que o sexo, seja como cena explícita ou como mero tema, está cada vez mais em voga na cultura do entretenimento. Às vezes, parece até que o próprio sexo se tornou um tipo de entretenimento em si. Essa percepção não é sem fundamento. Afinal, a indústria cinematográfica e televisiva tem dado cada vez mais ênfase a narrativas carregadas de erotismo e sensualidade.
Se de um lado há uma narrativa crescente sobre o empoderamento feminino e a conscientização sobre a exploração sexual, de outro muitos dos aclamados filmes e séries promovem justamente essa exploração sob o pretexto da liberdade. A questão central é: essa tendência deve continuar ou ser menos incentivada, pelo bem de nossas mentes e da sociedade como um todo? Talvez todo esse sexo em filmes e programas de TV não represente a liberdade que eles supostamente nos vendem, mas sim uma nova forma de aprisionamento psicológico e moral.
De acordo com um estudo publicado na The Economist em 2024, o número de cenas de sexo em filmes populares diminuiu cerca de 40% desde os anos 2000.
Stephen Follows, um analista de dados de filmes, examinou os 250 filmes de maior bilheteria nos Estados Unidos todos os anos desde 2000. Ao analisar dados de órgãos de classificação de filmes, bem como informações de bancos de dados de filmes — nos quais o 'sexo e nudez' de um título é classificado em uma escala de 'nenhum' a 'grave' — ele descobriu que o nível de conteúdo sexual em filmes caiu em quase 40%. A abstinência, em outras palavras, está na moda. Em 2000, menos de 20% dos filmes de maior bilheteria não tinham conteúdo sexual algum. Hoje, quase metade não tem. Pode haver menos cenas de sexo, mas aquelas que entram no corte são mais gráficas do que nunca
– The Economist, Is there more or less sex on screen?
Parte dessa mudança pode ser explicada pela “morte do romance” em filmes de sucesso.
No entanto, isso significa que o cinema está “mais puro”? Não exatamente. A ausência de cenas explícitas não significa que a cultura do sexo e da promiscuidade foi reduzida.
Nos últimos anos, temos visto filmes como “Saltburn”, “Pobres Criaturas” e “Anora” serem amplamente celebrados, apesar de seu conteúdo altamente erótico e, em alguns casos, chocante.
“Pobres Criaturas”: um Filme Muito Repugnante
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Bella (que literalmente tem o cérebro de uma criança) interage com o pênis de um cadáver antes de esfaqueá-lo repetidamente nos olhos usando um bisturi. |
“Pobres Criaturas”, estrelado por Emma Stone, foi aclamado pela crítica, ganhou grandes prêmios e foi saudado como uma obra-prima cinematográfica. Em um nível técnico, o filme é visualmente bom. Seus figurinos, direção de arte e performances são todos de primeira qualidade. No entanto, para aqueles que olham de perto, há algo profundamente perturbador sobre o filme. Como expliquei no meu artigo sobre ele, a questão central gira em torno da personagem Bella Baxter.
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Criada como um experimento macabro, Bella é uma criança que tem relações sexuais com homens mais velhos. Você pode tentar justificar isso de muitas maneiras, mas essa é a realidade. |
O filme não só mostra essas cenas, mas as glorifica sob o disfarce de um “despertar sexual” e suposta “emancipação feminina”. No entanto, após uma inspeção mais detalhada, percebemos que a história parece muito mais preocupada em explorar visualmente a nudez da atriz do que em contar uma história genuinamente feminista.
Essa tática não é nova. “Blonde”, de 2022, estrelado por Ana de Armas, seguiu uma lógica semelhante. Como expliquei em meu artigo sobre esse filme brutal, o filme apresentou cenas de Marilyn Monroe sendo explorada e abusada e, no final das contas, a própria atriz passou por um processo semelhante: cenas degradantes, nudez excessiva e tratamento quase voyeurístico pela câmera. O resultado? Uma indicação ao Oscar.
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Em uma breve sequência em “Blonde”, vemos Marilyn fazendo sexo oral em JFK em uma tela grande em um cinema. No entanto, essa cena vai além da representação de Monroe; é, na verdade, Ana de Armas se submetendo a uma performance degradante. |
Com “Pobres Criaturas”, a história se repetiu. Emma Stone, que já era uma das atrizes mais respeitadas de Hollywood, se submeteu a um papel que, de muitas maneiras, não apenas a expôs, mas também reforçou seu ritual de humilhação para permanecer relevante na indústria.
“Euphoria”: uma Fantasia de Pedofilia e Drogas
A HBO costumava ser sinônimo de qualidade. Hoje, virou sinônimo de pornografia suave com pretensões artísticas. Não há como negar que a série “Euphoria” conquistou um lugar de destaque na cultura popular. Tornou-se um fenômeno global, com milhões de espectadores semanais e uma influência massiva nas redes sociais, especialmente no TikTok. O elenco, liderado por Zendaya, virou referência para o público jovem, e a estética da série ditou tendências em moda, maquiagem e comportamento.
No entanto, ao contrário do que o título sugere, assistir à série não provoca euforia, mas sim um desconforto persistente.
Em cada episódio, há uma exposição intensa a cenas de abuso de drogas, violência e sexo — tudo ambientado no universo adolescente. O problema não está apenas nos temas abordados, mas na forma como são apresentados.
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Nos primeiros minutos de “Euphoria”, somos apresentados a Rue, uma jovem profundamente viciada em drogas, especialmente benzodiazepínicos e opioides. Em vez de apresentar as drogas como um fardo destrutivo, a série as envolve em uma estética visual sedutora, com cores vibrantes, uma trilha sonora envolvente e sequências estilizadas que, de certa forma, romantizam a experiência. |
Além disso, o conceito de “aliciamento” envolve dessensibilizar menores para questões sexuais e comportamentais, e “Euphoria” parece se encaixar nessa descrição. O produtor executivo do programa, o rapper Drake, foi acusado de pedofilia por Kendrick Lamar, o que só adiciona mais camadas de suspeita à produção.
Além disso, o criador do programa, Sam Levinson, filho do renomado diretor Barry Levinson, tem um histórico de produzir produções que exploram temas sexualizados de forma excessiva.
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Uma das cenas mais perturbadoras envolve a personagem trans menor de idade Jules em um quarto de motel com um homem mais velho. O espectador é forçado a testemunhar uma sequência desconfortavelmente gráfica onde o abuso é retratado sem nenhuma sutileza. |
Uma das justificativas para a abordagem extrema de “Euphoria” é o argumento de que ela “reflete a realidade dos jovens”.
No entanto, a série realmente retrata os jovens como eles são, ou apenas a juventude que Hollywood quer fabricar?
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Em outra cena, a personagem Kat, de 16 anos, se envolve em uma transmissão ao vivo com esse velho. O episódio não só mostra o ato de forma gráfica e sem censura, mas também transforma a situação em algo supostamente empoderador para a personagem. Como se isso não bastasse, a série também ensina explicitamente como pagamentos de pedófilos anônimos podem ser feitos por meio de criptomoeda. |
Além disso, a série se aproveita de uma brecha para contornar restrições.
Oficialmente classificada como 18+, “Euphoria” se protege de acusações de influenciar negativamente menores, já que seus atores principais são adultos. No entanto, a série é abertamente voltada para um público adolescente. E, com a privacidade oferecida por dispositivos móveis e serviços de streaming, não há nada que impeça adolescentes e até pré-adolescentes de assistir a esse conteúdo sem qualquer supervisão parental.
“The Idol”: Sexualidade Agressiva e Degradante
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Na série “The Idol”, a personagem de Lily-Rose Depp, Jocelyn, é apresentada logo no começo com um dispositivo escondendo um dos olhos. Sim, é um sinal do um olho. |
A série “The Idol” é tão carregada de mensagens perturbadoras que foi preciso um extenso artigo para dissecar adequadamente seu impacto. Apesar de amplamente criticada, o foco da série não está no enredo, nos personagens ou em qualquer tipo de reflexão profunda sobre a indústria musical, mas sim na exploração descarada da protagonista, Lily-Rose Depp. O diretor Sam Levinson (sim, o mesmo que trabalhou em “Euphoria”) mais uma vez entregou um produto que é uma reprodução dos aspectos mais degradantes do entretenimento.
A série, que originalmente tinha um tom diferente sob a direção de Amy Seimetz, foi completamente refilmada após sua demissão, e o resultado foi uma produção cheia de cenas excessivamente degeneradas, onde a câmera parece mais interessada no corpo da atriz do que em qualquer desenvolvimento narrativo significativo.
O Objetivo Final
O caso recente do filme “Anora” é ainda mais emblemático, já que a protagonista é uma dançarina erótica, e o filme não só explora essa realidade, mas a normaliza, sem questionar suas implicações morais e sociais. Toda essa tendência nos leva a questionar: por que Hollywood continua insistindo em glorificar a exploração do corpo, especialmente o feminino?
Precisamos mesmo ver tantas cenas de sexo para criar uma conexão entre os personagens? Ou a indústria está explorando nosso instinto mais básico para nos manter entretidos e distraídos?
Vivemos em uma era em que a pornografia está a apenas um clique de distância, acessível até mesmo a menores de idade. Sem contar a explosão de conteúdo sexualizado em redes sociais como o TikTok, onde jovens e até crianças são incentivados a produzir vídeos sensuais para ganhar curtidas e visibilidade.
Muitos argumentam que acontecia o mesmo nos anos 90, com a cultura popular promovendo a hipersexualização em vídeos, filmes e revistas. No entanto, a diferença é que, na década de 2020, essa sexualização se intensificou e se tornou onipresente, permeando todas as esferas do entretenimento e da comunicação digital. Além disso, ao longo das décadas, Hollywood sempre influenciou a maneira como a sociedade vê o sexo, o romance e os relacionamentos humanos.
No entanto, a indústria agora está promovendo uma visão equilibrada e saudável da sexualidade? Ou está simplesmente reforçando comportamentos impulsivos e superficiais? Claro, sexo é algo natural e saudável para a vida humana. O problema surge quando ele se torna um produto do consumo desenfreado e uma ferramenta de manipulação cultural. Infelizmente, o que vemos hoje é a normalização da promiscuidade e a objetificação do ser humano em nome do entretenimento.
Diante disso, cabe a nós questionar e refletir sobre o que consumimos e como isso impacta nossa percepção de nós mesmos e da sociedade. Afinal, nem tudo é sobre sexo. O ser humano é muito mais do que isso.
Conclusão
O que vemos na sociedade atual é um ciclo constante de consumo de conteúdo sexualizado, onde a sexualidade muitas vezes se torna um dos principais tópicos abordados, especialmente no cinema e na mídia. Quando o sexo ocupa tanto tempo de tela e é celebrado de maneiras tão explícitas, o que isso diz sobre o valor que nossa sociedade dá a essa questão? Estamos sendo desumanizados, reduzidos a meros objetos de desejo, distraídos dos reais problemas existenciais que nos afligem?
A sobrecarga de sexualidade na mídia de massa pode ter um impacto profundo, fazendo com que as massas (especialmente os jovens) percam a capacidade de refletir criticamente sobre as questões mais profundas da vida, como propósito, família e sua própria alma. O que está em jogo não é a censura de filmes ou séries, mas a reflexão sobre o que estamos consumindo, a mensagem que ele transmite sobre quem somos e para onde estamos indo como sociedade.
Não se deixe enganar. A luxúria promete muito, mas entrega pouco. E ainda entrega o que não foi combinado: infelicidade, angústia e enfado.
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Não esqueça: Inteligência e Fé!
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